Tempos Modernos
Comparando as cenas mostradas no filme Tempos Modernos, com a situação atual, podemos afirmar, que apesar das tecnologias de ponta empregadas, atualmente na produção industrial, a condição sócio-econômica do homem continua relegada a segundo plano e conforme podemos constatar, através do filme supra, a implantação do sistema de esteiras móveis nas fábricas, tinha como finalidade aumentar a produtividade das indústrias. Só que esse novo processo produtivo só trouxe benefícios para a classe patronal, que a partir daquele momento tinha como principal triunfo a institucionalização do processo de mais valia.
Enquanto que os operários eram cada vez mais explorados, pois não tinham os seus direitos trabalhistas respeitados e eram obrigados a produzirem sempre mais, fato esse que deixava-os muitas vezes estafados e/ou neuróticos(robotizados) em função das condições de trabalho e do aviltamento salarial estabelecido pelos empresários. E em virtude dessa insatisfação da classe operária surgiram os movimentos grevistas, que tinham como pauta de reivindicação, melhorias das condições salariais e de trabalho. Esses movimentos foram reprimidos pelos patrões, que por sua vez, acionaram as autoridades policiais, que cuidaram do esvaziamento desse movimento para garantir o retorno das atividades fabris.
Apesar dessa situação adversa, que prevalece até a presente data, o operariado sonha em ter sua casa própria, constituir família e participar da vida social. Só que na maioria das vezes esses sonhos não se tornam realidade porque a precária condição econômica e social imposta ao trabalhador não lhe permite saciar suas necessidades pessoais e primordiais, taiscomo: as de caráter sociais, financeiras, habitacionais, nutricionais etc. E o pior de tudo é que esses fatos até hoje, ainda fazem parte da vida da maioria dos trabalhadores brasileiros, que são vítimas dos empresários gananciosos que predominam na iniciativa privada e, que agem em nome do capitalismo selvagem, onde prevalecem os dados numéricos, estatísticos, financeiros e outros que venham satisfazer os interesses da burguesia elitista que predomina no país.
Assim sendo, a classe trabalhadora que luta no seu dia-a-dia por dias melhores fica cada vez excluída da sociedade(segregação social), sem emprego e sem perspectiva de realizar ou conquistar sua pretensão pessoal, que em muitos casos são até mesmo indispensáveis para a subsistência desses operários.
2 referência
Tempos Modernos começou existir por volta de 1932. Em princípio se chamaria “As Massas”, neste mesmo ano Chaplin contratou Paulette Goddard para trabalhar no filme, e num cruzeiro realizado em 1933 se casaram. Em 1934 os textos da obra ficaram prontos, e em outubro do mesmo deu início as filmagens, logo em 1935 teve fim a produção deste que foi o último filme onde Carlitos atuou. No dia 05 de fevereiro de 1936, no Rivoli Theatre, de Nova Iorque, Tempos Modernos teve sua estréia.
A obra custou um milhão e meio de dólares, mesmo com todo este capital envolvido, o filme foi recebido friamente pela crítica norte-americana que entendeu a obra como comunista, foi proibida sua exibição na Itália e na Alemanha, no entanto alcançou grande sucesso na Inglaterra, na França e na União Soviética.
Tempos Modernos satiriza a industrialização, utilizando cenas de sofrimento mostra a sociedade americana pós crise de Wal Street (1929), num constante movimento de máquinas, homens e Estado (representado pela força policial) buscando a adequação social, isso os coloca em inevitável conflito.
Na fábrica a aceleração da produção causa crise psicomotora nos operários, protagonizado por Carlitos, ao sair do hospital este encontra a empresa fechada, na rua envolve-se numa turba, onde é preso acusado de liderança comunista, encarcerado o melancólico personagem evita uma fuga de traficantes, é solto pela polícia como forma de agradecimento. A fita segue com alternações de emprego, prisão e romance vivido com uma moça, órfã de mãe e com o pai morto numa manifestação trabalhista, os dois se identificam e juntos sonham as delícias do capitalismo.
A polícia novamente aparece, a jovem ainda é legalmente menor, por isso deveria estar sob a custódia do Estado. Não existindo outra alternativa, o jovem casal foge daqueles que deveriam “zelar pelo bem-estar da sociedade”, tudo recomeça na busca de tempos modernos.
Tamanha confusão faz com Carlitos enlouqueça, Villegas Lôpez resume este episódio na seguinte frase: “Em Tempos Modernos não temos mais o drama de Carlitos, mas Carlitos vivendo nosso drama”.
Embora usando recursos mímicos, Chaplin pela 1ª vez dá voz à Carlitos. Em Tempos Modernos é cantada uma canção de linguagem inteligível, mas de suma importância para a história do cinema, pois pela primeira vez um filme de Chaplin usa tal recurso, e única vez que Carlitos expressou com a fala.
Tempos Modernos inicia uma nova fase nas obras do cineasta, de agora em diante seus filmes teriam som, e Carlitos? Teria ficado obsoleto meio a tanta modernidade?
Ora Carlitos, assim como “Tom e Jerry” não precisa de voz, seu constante movimento mímico por si só possui a Babel do entendimento, em qualquer língua poderíamos criar falsos e péssimos Carlitos, no entanto a mímica eternizaria aquele magnífico personagem.
O filme Tempos Modernos, estrelado por Charles Chaplin, satiriza a industrialização. Assim utiliza a vida do pobre e todo seu sofrimento para isso.
O contexto social apresentado, permite estabelecer relações com nosso dia-a-dia, como se Chaplin estivesse tendo uma visão do futuro.
Filme engraçado, porém com sucessivas cenas de tristeza, onde se descreve a profunda melancolia da vida moderna, os homens enlouquecidos, voam atrás do tempo perdido, “o tempo, rindo de toda essa bobagem, passa ainda mais rápido, deixando esses pobres comendo poeira”. Neste dilema, os seres humanos se desgastam, destruindo suas vidas, tornando-as frias, duras e impessoais, pois a rapidez é essencial na existência desses “seres modernos”. O homem então constrói máquinas para agilizar e apressar seus afazeres. Surgem grandes indústrias com grandes aparatos de industrialização massacrando os homens num processo de mecanização, “num tempo que não é a vontade e consciência dos agentes históricos” como publicou Roberto da Matta, na sua A Fábula das Três Raças, ou o Problema do Racismo à Brasileira”.
Assistindo esta magnifica obra de Chaplin, as comparações com a atualidade são inevitáveis, onde podemos observar a industrialização gerando subempregos, e estes gerando diversos problemas sociais e pessoais, o processo de desenvolvimento acelerado, visto com olhos críticos, mostra-se como o grande usurpador das relações humanas, o tempo agora é gasto com máquinas, o que nos permite abrir espaço para uma pequena digressão, vamos a ela:
O avanço tecnológico da humanidade em suas diversas áreas, nasceram com o objetivo de diminuir a necessidade do trabalho manual, contribuindo assim para o bem estar do homem, pois este agora teria mais tempo para seu lazer, sua família e seu desenvolvimento intelectual, pois bem, com este objetivo o homem inventou a arma, substituindo o arco e flecha, inventou o automóvel, substituindo a tração animal, projetou a canalização, não tendo necessidade do poço cavado ou a ida ao rio. Poderíamos digitar páginas e páginas dedicadas a este assunto, assim não seria mais uma digressão, e este não é nosso objetivo. Dado esta explanação observamos na sociedade vivida ironicamente na pele de Carlitos a busca incansável do tempo perdido. A industrialização, a robotização, a informática, enfim o avanço tecnológico atingira o objetivo da melhoria da sociedade humana, ou de alguns humanos?


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